O Vasco da Gama ingressou com um recurso perante o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) solicitando a revogação imediata da suspensão de seu processo judicial. A diretoria cruz-maltina busca uma tutela de urgência para garantir o direito de mandar o confronto diante do Boca Juniors, válido pela semifinal da Copa Sul-Americana e agendado para o dia 20 de outubro, no estádio do Maracanã. A pressa do clube se deve ao cronograma estipulado pela organização do torneio continental, que exige a indicação formal do palco do duelo até a próxima segunda-feira.

A ação movida pelo Vasco havia sido suspensa por determinação da juíza Adriana Laia Franco, titular da 2ª Vara Cível da Capital. Na avaliação da magistrada, a tramitação concomitante de duas demandas com o mesmo objetivo prático — já que um torcedor vascaíno havia protocolado previamente uma ação popular para viabilizar a partida no estádio — poderia gerar decisões conflitantes e provocar insegurança jurídica. No novo recurso protocolado na noite desta sexta-feira, o departamento jurídico do Vasco contesta esse entendimento, sustentando que os processos possuem naturezas jurídicas distintas e autonomia processual, de forma que o pedido institucional do clube não pode ser travado em decorrência da iniciativa individual de terceiros.

Por outro lado, o Consórcio Fla-Flu, responsável pela administração e concessão do Maracanã, manifestou-se formalmente na Justiça de maneira contrária à utilização do estádio pelo clube de São Januário. Em agravo de instrumento apresentado conjuntamente na tarde de sexta-feira, Flamengo e Fluminense colocaram as condições do gramado como eixo central de sua oposição. A concessionária argumentou que a inclusão do confronto entre Vasco e Boca Juniors acarretaria uma sobrecarga de três partidas em um intervalo de apenas cinco dias, inviabilizando o período mínimo necessário para a recuperação e manutenção da grama.

O consórcio também citou a realização da partida da NFL entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys como um dos fatores que afetaram o gramado. A troca do campo começou no dia seguinte ao evento. De acordo com o documento, relatórios técnicos atestaram que o estádio não possui capacidade para absorver novas atividades ou eventos esportivos extras ao longo da temporada 2026. Para embasar essa postura, o consórcio citou que até mesmo demandas do próprio Flamengo foram rejeitadas, como uma partida comemorativa alusiva aos 45 anos da conquista do título mundial e a tradicional partida beneficente do Jogo das Estrelas, promovida anualmente por Zico em dezembro.

A resposta aos argumentos dos administradores veio poucas horas depois por meio do torcedor vascaíno responsável pela ação popular. Na réplica protocolada no processo, foram apontadas contradições no discurso do consórcio gestor. Ele enfatizou que, ao longo do ano de 2026, o Maracanã já sediou nove partidas com intervalo de descanso de até 48 horas, conforme levantamentos estatísticos. Além disso, destacou que a própria programação futura oficial da concessionária mantém um intervalo de apenas dois dias entre os jogos marcados para 26 e 28 de outubro. Segundo o autor da ação popular, se os critérios técnicos permitem que Flamengo e Fluminense atuem com 48 horas de descanso, o mesmo parâmetro deveria respaldar o jogo do Vasco no dia 20 de outubro, que ficaria exatamente a 48 horas dos confrontos previstos para 18 e 22 de outubro.