A vitória da Seleção Brasileira por 4 a 2 sobre a Austrália, em Brisbane, marcou um momento de consagração para o zagueiro Jair Cunha. Aos 21 anos, o defensor fez sua estreia como titular pela equipe principal comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, consolidando uma trajetória construída a partir de persistência e sacrifícios de toda a sua família no interior paulista.

Nascido em Orlândia, município localizado a aproximadamente 365 quilômetros da capital São Paulo, Jair iniciou sua relação com o esporte ainda na infância. O primeiro contato com o futebol ocorreu por intermédio do pai, Jair Paula da Cunha, que atuava como atleta amador na várzea e levava o menino para acompanhar seus jogos. Sem ter tido a oportunidade de seguir carreira profissional, o pai incentivou o filho desde cedo, matriculando-o em escolinhas de futebol de campo e de salão. Durante o período escolar, Jair também competiu no atletismo, vencendo disputas de corrida de 100 e 200 metros impulsionado por sua estatura e passada larga, antes de focar definitivamente na bola.

A caminhada rumo à profissionalização exigiu disciplina prematura. Aos dez anos, o atleta já cumpria horários rígidos e abria mão de momentos rotineiros da infância para se dedicar aos treinamentos diários. Ao participar de testes avaliativos nas categorias de base do Santos, Jair começou atuando como atacante. No entanto, sua facilidade em roubar a bola no campo de ataque chamou a atenção de Lima e Juary, ídolos do clube paulista que atuavam na captação. Diante da necessidade de zagueiros para o time sub-11, a comissão técnica o reposicionou na defesa, local onde se fixou de forma definitiva.

Com a aprovação na base santista, a mãe do jogador, Ivana Horácio Pinto da Cunha, decidiu deixar Orlândia para acompanhar o jovem no litoral paulista, deixando no interior o marido e as duas outras filhas do casal. Apesar do ceticismo inicial e dos comentários de pessoas próximas que consideravam a mudança uma atitude arriscada, a permanência da mãe ao lado de Jair garantiu o suporte necessário para que o defensor progredisse nas divisões de base.

Após estrear profissionalmente pelo Santos, Jair transferiu-se para o Botafogo, clube pelo qual disputou a edição de 2025 do Mundial de Clubes. No mesmo ano, a agremiação carioca acertou sua venda ao Nottingham Forest, da Inglaterra, em negociação de aproximadamente R$ 76 milhões, clube onde o atleta permanece em atividade no futebol europeu. Com a camisa da Seleção Brasileira, o defensor já acumulava bagagem pelas categorias de base, tendo conquistado o título do Campeonato Sul-Americano Sub-20 na Venezuela, em fevereiro de 2025, atuando com a camisa 3.

A convocação para o grupo principal veio na relação de Carlo Ancelotti para a série de amistosos da Data Fifa contra Austrália e Índia, dentro do processo de renovação da equipe nacional. A notícia foi recebida com profunda emoção pelos pais em Orlândia, que viram no chamado a realização de um sonho construído em família. Titular pela primeira vez na vitória contra os australianos em Brisbane, Jair Cunha avança em sua afirmação no cenário internacional do futebol.