Da Baixada ao Ninho: O tatuador que conquistou Bruno Henrique e as estrelas do Flamengo
O que começou como um acaso aos 18 anos na Baixada Fluminense, transformou-se na marca registrada de grandes craques do futebol brasileiro. Gustavo Gomes, nascido e criado em Belford Roxo, não é apenas um profissional da tatuagem; ele se tornou um verdadeiro confidente e amigo de várias gerações de jogadores do Flamengo, com destaque especial para o atacante Bruno Henrique.
A trajetória de Gustavo não foi fácil. Após lidar com dramas familiares na infância, incluindo o abandono de sobrinhos pela mãe, ele precisou trabalhar duro desde cedo, passando por funções como ajudante de pedreiro e office-boy. Um trágico episódio aos 30 anos, quando sobreviveu a quatro tiros e quebrou o fêmur, acabou sendo o ponto de virada: durante a recuperação, especializou-se no estilo de realismo, o que elevaria seu trabalho a outro patamar.
A conexão com o mundo da bola teve início em 2016, quando foi indicado por um cabeleireiro para tatuar Chiquinho, então jogador rubro-negro. A partir dali, o boca a boca no vestiário fez com que seu nome circulasse entre os atletas. Pará, Lucas Paquetá, Gerson, Michael e Ayrton Lucas são apenas alguns dos astros que já passaram por suas agulhas.
Contudo, foi com Bruno Henrique que a relação ultrapassou os limites profissionais. Cliente desde 2019, o camisa 27 costuma chamar Gustavo em sua própria casa para novas sessões. Vaidoso, o atacante encontrou na arte uma forma não apenas de registrar suas conquistas — como as taças levantadas pelo clube —, mas também de ressignificar marcas do esporte.
O caso mais simbólico aconteceu após uma grave lesão no joelho. Para cobrir manchas deixadas pelo tratamento, Bruno Henrique pediu para tatuar a palavra "suporta". O termo traduzia a resiliência necessária para superar o momento difícil. Curiosamente, a tatuagem estreou com sorte: dias depois, ele marcou um gol e celebrou de joelhos, para o desespero — e posterior alívio — do amigo tatuador.
Hoje, com mais de duas décadas de experiência e cursos no exterior, Gustavo prova que a arte na pele é muito mais do que estética; é também uma forma de contar as histórias de superação e vitória que acompanham os ídolos dentro e fora dos gramados.