Orbitals é como um daqueles animes clássicos de uma temporada que você assiste por acaso e acaba se apaixonando perdidamente.

O jogo de estreia da desenvolvedora Shapefarm, Orbitals, é mais do que apenas uma excelente aventura cooperativa de sofá; é uma celebração dos animes vintage que carrega suas inspirações no peito. É uma mistura de Cowboy Bebop, Evangelion e Sailor Moon empacotada em uma história de ficção científica de alto conceito, com cenas animadas incrivelmente bem feitas. Embora o jogo não se distancie completamente dessas referências para se tornar uma obra-prima 100% original, ele emula tantos sucessos quase perfeitos que a doce nostalgia será o suficiente para mantê-lo cativado durante sua curta duração.

O elefante na sala são os vários sucessos da Hazelight Studios, como It Takes Two e Split Fiction, que definiram o espaço de co-op local nos últimos dez anos. É quase impossível não comparar títulos similares ao trabalho da Hazelight, mesmo que isso pareça injusto com estúdios novatos entrando no gênero. Contudo, Orbitals consegue bater de frente com os melhores — em grande parte porque a equipe de desenvolvimento é liderada por ex-membros da Hazelight.

Enquanto em outros jogos do gênero é comum passar muito tempo parado, segurando um único botão para ajudar o parceiro, Orbitals garante que ambos os jogadores estejam sempre em movimento. Os dois contribuem ativamente nas seções de plataforma ou quebra-cabeças, sem pausas desnecessárias.

Os jogadores assumem o papel de jovens colonos espaciais, Maki e Omura, que viveram toda a sua vida presos em uma colônia assolada por tempestades de radiação. O que os mantém vivos são máquinas de respawn de alta tecnologia, os IMs, mas o perigo está iminente. Para salvar sua "família" (e potencialmente ajudar todos a escaparem dos destroços), a dupla viaja aos confins do espaço em busca de recursos.

Apesar da premissa de ficção científica, a história e os personagens de Orbitals são claros tributos aos animes populares. Os equipamentos de respawn remetem ao horror existencial de Evangelion, e as naves têm aquele aspecto sujo e industrial de Cowboy Bebop. Maki tem ares de "garota mágica", enquanto Omura é inteligente, meio nerd e extremamente orgulhoso — uma mistura cativante de Ranma e Spike Spiegel.

É verdade que muitas narrativas soam um tanto quanto formuladas. Levei uma sessão inteira para realmente me engajar com a história. Onde o título perde alguns pontos para as grandes referências do mercado é no design de fases, oferecendo ambientes que, depois de um tempo, começam a se misturar, ainda que haja cenários incríveis como usinas de força congeladas e fábricas repletas de lava. Felizmente, o jogo é curto o suficiente para que nenhuma fase se torne enjoativa.

O design de arte e os detalhes inseridos no DNA de Orbitals são o grande atrativo. Há sempre pequenas descobertas, como um gato roxo adorável ou alienígenas inspirados nas obras do Studio Ghibli. Minigames divertidíssimos, como um modo versus inspirado em Space War, também quebram o ritmo perfeitamente.

Em suma, Orbitals eleva o desafio mecânico. Alguns quebra-cabeças exigem precisão coordenada que pode frustrar jogadores novatos. Mesmo assim, sua estética de anime artesanal e seu charme superam os obstáculos. Se você e seu parceiro ou parceira estão em busca de algo com personalidade, ritmo intenso e cenas estilo anos 80, Orbitals justifica totalmente os seus US$ 40, agora disponível exclusivamente no Switch 2.