Orbitals: Uma Aventura Espacial com Alma de Anime Clássico
O jogo de estreia da desenvolvedora Shapefarm, Orbitals, é muito mais do que apenas uma excelente aventura cooperativa de sofá: é uma verdadeira celebração aos animes clássicos, ostentando orgulhosamente suas inspirações. Ele mistura a essência de Cowboy Bebop, Evangelion e Sailor Moon dentro de uma história de ficção científica ambiciosa, tudo coroado com belíssimas cenas animadas.
Embora o jogo não fuja totalmente dessas referências visuais para se tornar uma obra-prima 100% original, ele copia os elementos certos dessas obras quase perfeitas. A doce nostalgia é mais do que suficiente para te manter imerso durante a curta duração da campanha.
O Legado Cooperativo e as Comparações Inevitáveis
O "elefante na sala" quando falamos de jogos cooperativos é sempre o brilhante currículo da Hazelight Studios, criadora de It Takes Two e A Way Out, que redefiniram o gênero na última década. É impossível não comparar jogos similares aos títulos da Hazelight, mesmo que isso pareça injusto para novos estúdios.
Mas Orbitals aguenta bem a pressão — muito provavelmente porque a equipe de desenvolvimento conta com ex-talentos da própria Hazelight. O Diretor do Jogo, Jakob Lundgren, já havia mencionado que o game traria muito do DNA do estúdio anterior. Na prática, ele consegue aprimorar essa fórmula de sucesso em vários aspectos.
Em jogos anteriores do gênero, era comum passar muito tempo parado, segurando um único botão para ajudar um parceiro. Em Orbitals, o design garante que ambos os jogadores estejam sempre em movimento, superando os desafios simultaneamente e fazendo contribuições significativas nas seções de plataforma ou quebra-cabeças.
A Premissa: Sobrevivência e Clássicos da Animação
Os jogadores assumem o controle de Maki e Omura, dois jovens colonos espaciais que viveram toda a vida em uma colônia abandonada, agora devastada por uma misteriosa tempestade de radiação. O que mantém as pessoas vivas lá são máquinas de "respawn" de alta tecnologia, chamadas IMs. Para salvar a "família" que encontraram e escapar dos destroços, a dupla precisa se aventurar pelos confins do espaço para buscar suprimentos e ferramentas de sobrevivência.
Apesar da premissa profunda, a história e os personagens de Orbitals não são exatamente revolucionários — é fácil perceber que são homenagens diretas aos animes populares. As máquinas IM evocam um pouco do terror existencial de Evangelion; as espaçonaves sujas e industriais gritam Bebop. Maki tem o visual e as atitudes de uma magical girl, enquanto Omura é inteligente, um pouco nerd e extremamente orgulhoso (lembrando uma mistura de Ranma e Spike Spiegel).
O jogo não se aprofunda muito nesses arquétipos nem os subverte, preferindo reciclar elementos adorados pelo público. No entanto, o carisma e a direção de arte caprichada conseguem compensar qualquer falta de profundidade narrativa.
Design de Fases e Experiência Cooperativa
Onde It Takes Two realmente ganha vantagem sobre Orbitals é no design de níveis. A Hazelight faz os jogadores saltarem por mundos completamente diferentes. Já em Orbitals, passamos grande parte da campanha vasculhando diferentes partes de espaçonaves destruídas, o que pode parecer um pouco repetitivo.
No entanto, a direção de arte salva os cenários da monotonia. Há paisagens maravilhosas e perigosas, desde minas de asteroides até uma usina congelada e uma fábrica cheia de lava. Além disso, o jogo é curto, garantindo que nenhum nível dure mais do que o necessário. Se a plataforma cansar, minigames incríveis — incluindo um hilário modo de combate estilo Space War — estão disponíveis para descontrair.
Orbitals apresenta alguns desafios de movimento coordenado surpreendentemente difíceis. É necessário timing preciso com seu parceiro para enviar plataformas de um lado para o outro ou utilizar equipamentos como lasers e mochilas a jato para superar perigos em conjunto.
Veredito
Exclusivo do Nintendo Switch 2 e vendido por US$ 40, Orbitals é uma aventura condensada que pode ser finalizada em cerca de três sessões. É um prato cheio de personalidade, beneficiado pelos mínimos detalhes visuais e pelas belas cutscenes que imitam a animação desenhada à mão dos anos 1980 (produzidas pelo Studio Massket).
Para os fãs de jogos cooperativos em busca de mecânicas ágeis, pouca espera passiva e muito charme retrô, Orbitals é uma recomendação certeira e um ótimo acréscimo à biblioteca do novo console da Nintendo.