Cientistas vêm tentando, há anos, imitar os movimentos e as mudanças de cor dos polvos. Agora, uma equipe de pesquisa na Coreia do Sul conseguiu desenvolver um robô flexível, chamado Octoid, capaz de simular o comportamento desse animal em seu habitat natural.

O sistema "três em um" do robô permite que ele mude de cor, se mova e até mesmo capture presas de uma forma fascinantemente semelhante à do próprio cefalópode. Embora o mundo científico já trabalhe na modelagem de robôs inspirados em polvos há mais de uma década, esta é a primeira vez que pesquisadores conseguem combinar, em um único robô, a forma como o polvo se move e se camufla.

O Octoid foi criado por especialistas do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia, sob a liderança do cientista Dae-Yoon Kim. Segundo Kim, o objetivo é expandir essa tecnologia para o desenvolvimento de máquinas flexíveis inteligentes, incluindo robôs autoconscientes, reflexivos e baseados em aprendizado.

O material central utilizado para construir o Octoid é chamado de polímero de cristal fotônico. Trata-se de um material nanoestruturado que apresenta reações interessantes à passagem da luz. Ao separar e refletir comprimentos de onda específicos, esse tipo de polímero é capaz de exibir cores brilhantes em sua estrutura.

Atualmente, os polímeros de cristal fotônico já possuem diversas aplicações no mundo real, como em sensores de alta tecnologia, comunicação remota e computação óptica. No entanto, o uso desse material na fabricação de "robôs moles" ainda é um campo bastante novo e emergente dentro da robótica.

Os pesquisadores usaram esses polímeros para dar ao robô uma estrutura especial, dotando-o da habilidade de se mover de maneira suave e flexível enquanto muda de coloração. A equipe conseguiu controlar o robô usando sinais elétricos que geram contrações e expansões microscópicas. É essa mecânica que faz com que o Octoid passe do azul para o verde, e em seguida para o vermelho.

A anatomia única do polvo sempre despertou o interesse de cientistas. Diversos laboratórios e empresas já apresentaram robôs que se movem de forma semelhante aos tentáculos do animal. Contudo, não são apenas os polvos que servem de inspiração; diversas criaturas marinhas têm capturado a imaginação de roboticistas em todo o mundo.

A equipe responsável pelo Octoid afirma que o robô abre novas possibilidades para a tecnologia de robótica flexível e biomimética. A tecnologia demonstrada tem potencial para ser aplicada em indústrias voltadas ao resgate em águas profundas, monitoramento da ecologia marinha, robôs hospitalares para alcançar áreas de difícil acesso e também em aplicações militares.

"Através dessa pesquisa, garantimos materiais para robôs flexíveis que podem ser aplicados em diversas áreas, incluindo robôs adaptativos autônomos, sistemas de camuflagem militar, exploração marinha e microrrobôs médicos", concluiu Kim.

O artigo original com os detalhes do estudo foi publicado na revista científica Advanced Functional Materials.