Vazamentos revelam que novo agente de IA da Meta usava pessoas reais para realizar chamadas
A gigante da tecnologia Meta está novamente sob os holofotes por questões de transparência. Documentos internos e relatos recentes revelam que o Muse, o recém-lançado agente de inteligência artificial da empresa, dependia de trabalhadores humanos em call centers para completar tarefas sob o disfarce de automação.
Em meados de setembro, a Meta iniciou os testes de uma nova funcionalidade para o Muse: realizar chamadas telefônicas para empresas com o intuito de fazer reservas e agendamentos em nome dos usuários. No entanto, investigações apontam que esse assistente supostamente autônomo roteava as solicitações para atendentes reais sem divulgar essa informação de antemão.
A omissão de que havia um "fator humano" nos bastidores gerou preocupação até mesmo entre os próprios funcionários da Meta. Mensagens internas alertavam que o recurso poderia manchar a reputação da empresa, passando a impressão de que "a IA deles não é boa o suficiente, então ainda precisam de humanos". Mais alarmante do que as táticas de marketing enganosas, contudo, é a ameaça real à privacidade.
Ao utilizar um agente de IA para agendar consultas médicas ou fazer compras, o usuário confia informações sensíveis à plataforma. A presença oculta de estranhos lidando com números de telefone, identidades e dados pessoais acende um alerta vermelho, especialmente considerando o histórico problemático da Meta com vazamentos de dados e quebras de confiança.
Embora o uso de supervisão humana seja comum no treinamento e monitoramento de sistemas, a prática de "IA de fachada" – onde trabalhadores ocultos fazem o trabalho pesado dos modelos – expõe o consumidor a riscos desnecessários. Após a repercussão negativa e os apontamentos da imprensa, a Meta teria suspendido temporariamente o recurso para reavaliar a transparência quanto ao envolvimento de prestadores de serviço humanos.