Para os introvertidos e pessoas ocupadas de plantão, o Google acaba de anunciar uma novidade tentadora. A gigante da tecnologia expandiu os recursos do seu modelo de inteligência artificial móvel, o Gemini, que agora pode assumir o telefone e fazer ligações do dia a dia no seu lugar.

Iniciado com o comando "@Call for me" (Ligue para mim) no aplicativo do Gemini, o assistente virtual pode contatar lojas locais para verificar horários de funcionamento, checar a disponibilidade de um produto ou até mesmo fazer uma reserva em um restaurante para um horário específico.

O limite da conveniência

Apesar de parecer o fim do incômodo de falar ao telefone, a tecnologia tem barreiras de segurança claras. O Gemini foi programado intencionalmente para não fechar transações financeiras. Ele não compartilhará senhas, números de cartão de crédito ou outras informações muito sensíveis. A IA se limita a fornecer seu nome e detalhes básicos de contato.

Na prática, isso significa que para muitas das tarefas que você gostaria de delegar, precisará acompanhar a chamada por meio de uma transcrição ao vivo ou ouvindo o áudio, para então usar a opção "assumir o controle" (take over) e finalizar a transação humana fornecendo os dados sensíveis. Isso acaba limitando um pouco o tempo que o recurso promete economizar.

O impacto nas empresas

A chegada das IAs às linhas telefônicas levanta diversas questões éticas e operacionais. O Gemini inicia as ligações reproduzindo um aviso automatizado para quem atende, informando que uma inteligência artificial está falando, mas como os funcionários reagirão na prática?

Especialistas e jornalistas de tecnologia apontam que estabelecimentos locais poderão ser sobrecarregados por essas chamadas artificiais. Como uma loja priorizará um cliente real na linha em vez de uma IA? Além disso, não está claro como o Gemini lidará com situações comuns, como longos menus de atendimento automático (URAs), músicas de espera intermináveis ou caixas postais.

O Google afirma que há um processo de "opt-out" para empresas que desejem bloquear ligações do Gemini, mas a facilidade de acionar esse bloqueio ainda não foi totalmente detalhada.

Requisitos e restrições

Se você quer testar a função, precisará passar por algumas exigências. Primeiro, é necessário ter mais de 18 anos e possuir um smartphone Pixel 11 ou superior. No momento, a funcionalidade só opera em inglês e está restrita aos Estados Unidos.

Além do aparelho, é preciso ter uma assinatura do Google AI (a partir de US$ 5 ao mês), baixar a versão beta pública do aplicativo "Phone by Google" e utilizar a versão mais recente do app do Gemini.

Para evitar abusos e chamadas de spam (robocalls), o Google também impôs um limite diário de ligações por usuário, embora não tenha especificado qual é esse número, alegando também preocupações com o alto consumo de energia dos servidores da IA.

Com incidentes recentes envolvendo a IA do Google rompendo regras de segurança de algumas empresas sem permissão, o mercado observará de perto se o conforto de terceirizar ligações telefônicas compensará os potenciais riscos e confusões no comércio local.