Uma campanha publicitária hilária, mas sombria, criada pelo Conselho de Consumidores da Noruega em colaboração com o autor e ativista Cory Doctorow, está chamando a atenção para um problema que afeta todos nós: a piora deliberada de produtos e serviços digitais, um fenômeno batizado de "enshittification". O termo foi popularizado por Doctorow em 2022 para descrever como as grandes empresas de tecnologia atraem usuários com serviços excelentes, apenas para, uma vez estabelecida a dependência, degradarem a qualidade e começarem a cobrar por recursos básicos, visando o lucro máximo. Na campanha de vídeo, um personagem nórdico chamado "Enshittificator" faz parceria com a própria Morte. Ele explica como sua missão é tornar tudo pior. Juntos, eles estragam televisões, armazenamento em nuvem e até carros. A dupla brinca que fazer produtos duráveis (com uma referência hilária ao clássico e indestrutível Nokia 3310) gera receita apenas uma vez. O verdadeiro dinheiro está em usar materiais ruins, impedir consertos e cobrar assinaturas mensais. A sátira não está longe da realidade. Vimos empresas cortarem o armazenamento ilimitado de fotos, forçando assinaturas mensais, e montadoras tentando cobrar taxas recorrentes para o uso de assentos aquecidos ou partidas remotas que já vêm embutidos no veículo. Para combater esse cenário sombrio, a iniciativa defende mudanças nas leis para favorecer o consumidor. A estratégia tem três pilares principais: 1. Interoperabilidade: Forçar plataformas a se comunicarem entre si. 2. Portabilidade: Permitir que o usuário leve seus dados (fotos, playlists, contatos) para serviços concorrentes sem perder nada. 3. Descentralização: Afastar o controle de corporações em direção a redes abertas e independentes. Enquanto a batalha contra as gigantes da tecnologia continua, campanhas como essa usam o humor para ajudar as pessoas a direcionarem sua frustração e lutar por produtos e serviços que não as tratem como simples minas de dinheiro.