Dança das Cadeiras na Premier League: Metade dos Clubes Troca de Comando para 2026/27
A edição 2026/27 do Campeonato Inglês, a liga de futebol mais prestigiada do planeta, começou com uma característica atípica: a altíssima rotatividade de treinadores. Em uma renovação poucas vezes vista em mais de três décadas de Premier League, nove dos vinte clubes iniciam suas trajetórias com novos comandantes. Surpreendentemente, 55% dos técnicos atuais estão nos seus cargos há menos de um ano.
Uma das maiores mudanças para a temporada aconteceu no Manchester City. Após uma década inteira liderando os "Citizens" rumo a um período hegemônico no futebol inglês e europeu, Pep Guardiola se despediu da equipe. Para dar sequência ao seu legado, a diretoria recorreu a Enzo Maresca. Ex-técnico do Chelsea e ex-auxiliar do próprio Guardiola, Maresca terá a dura missão de manter a máquina de vitórias de Manchester em alta rotação.
No entanto, o City não foi o único gigante a sacudir o seu banco de reservas. O Chelsea trouxe Xabi Alonso como pilar principal de uma vasta reconstrução, especialmente visando reposicionar o clube que está ausente das competições europeias desta temporada. Já o Liverpool preencheu o vácuo deixado por Arne Slot com a chegada do espanhol Andoni Iraola, que até então estava no Bournemouth. O Bournemouth, por sua vez, reagiu rapidamente e contratou o alemão Marco Rose para a temporada.
Outras equipes também viram necessidade de mexer as peças. O Nottingham Forest surpreendeu ao demitir Vitor Pereira, substituindo-o por Oliver Glasner. Ironicamente, a antiga vaga de Glasner no Crystal Palace foi ocupada pelo francês Pierre Sage. Correndo por fora na janela do meio do ano, o Fulham oficializou Álvaro Arbeloa, com passagem pelas categorias de base do Real Madrid, como seu novo treinador. E na esteira da reconstrução, Newcastle e o recém-promovido Ipswich Town apontaram Matthias Jaissle e Gary O'Neil, respectivamente, para conduzir as suas equipes.
Segundo dados da Opta, uma troca em massa tão expressiva entre treinadores no início da primeira divisão inglesa não acontecia desde a temporada 1946/47, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Se a estes nomes somarmos treinadores como Michael Carrick (Manchester United) e Roberto De Zerbi (Tottenham), ambos que assumiram em meados do ano passado para resolver crises e lutar por objetivos específicos, chega-se à marca de 11 técnicos com menos de 12 meses de casa.
Isso expõe a brutal competitividade da liga e a pressa por resultados. De acordo com o treinador brasileiro Sylvinho, com passagem marcante por Arsenal e Manchester City como atleta, o poder de investimento da liga é um catalisador de pressão: "Os clubes gastam muito dinheiro para contratar os melhores jogadores. A falta de paciência e as demissões prematuras são sintomas de como as coisas ocorrem em um ambiente tão implacável."
Em meio a tamanha instabilidade, o contraponto perfeito vem do Norte de Londres. Comandando o Arsenal desde dezembro de 2019, o espanhol Mikel Arteta se firma hoje como o treinador mais longevo da competição. Além da estabilidade invejável, Arteta desfruta de um outro status exclusivo: é o único dos 20 treinadores desta temporada que já se sagrou campeão da própria Premier League. Atual detentor do título, o espanhol inicia a defesa da taça em busca do bicampeonato consecutivo, feito restrito a pouquíssimas lendas como Sir Alex Ferguson, José Mourinho e seu antigo mentor, Pep Guardiola.
A temporada promete. Em um campeonato marcado pelas inovações táticas, a grande questão será ver quem consegue sobreviver e estabilizar os seus times dentro do ambiente mais rigoroso e pressionado do futebol mundial.