A Anthropic anunciou recentemente que o seu modelo de inteligência artificial, Claude, começará a inserir marcas d'água em todos os arquivos e textos que produzir. Com essa medida, a empresa se alinha a uma tendência crescente no setor de tecnologia, oferecendo maior transparência sobre a origem de conteúdos digitais.

A iniciativa visa cumprir as novas exigências de regulamentação na União Europeia, que determinam que provedores de sistemas de IA devem informar claramente quando um material é sintético. Essa regra engloba a identificação de deepfakes, categorização biométrica e sistemas de reconhecimento de emoções.

Como a marca d'água funcionará?

No caso do texto, a tecnologia da Anthropic inserirá sinais invisíveis nas palavras ou sequências, que poderão ser lidos por sistemas automatizados, mas passarão despercebidos pelo olho humano. Mesmo que um usuário copie e cole o texto em um editor simples, as marcações permanecerão intactas.

A alteração será aplicada em nível de modelo. Portanto, isso afetará todos os produtos derivados do Claude, seja através de API, Claude Code, ou Claude Cowork, abrangendo usuários de todo o mundo. Para arquivos visuais (como .jpg, .png, e .svg), serão injetados metadados de procedência atestando a criação via IA. Se alguém tentar manipular a imagem para remover os rastros da IA, a assinatura digital criptografada será quebrada, evidenciando a adulteração.

Os limites do sistema

Apesar do forte investimento em transparência, a própria Anthropic avisa que a ferramenta não é infalível. A presença de uma marca d'água no texto pode ocorrer caso o usuário tenha colado um material próprio no Claude apenas para revisar gramática ou resumir o conteúdo. Assim, um trabalho puramente humano poderia acabar sinalizado incorretamente como feito por inteligência artificial.

Da mesma forma, não haverá marca d'água se o material gerado pela IA for muito curto ou se for pesadamente editado e traduzido por um ser humano posteriormente. Uma imagem criada pela plataforma e re-salva por meio de uma simples captura de tela também perderá os metadados.

Ainda assim, o movimento representa um passo importante em direção a uma internet mais ética e mostra um grande esforço por parte das gigantes de IA para separar a criatividade humana das produções sintéticas.