Análise: Control Resonant expande o universo da Remedy para um mundo aberto
A Remedy Entertainment sempre foi conhecida por sua capacidade de criar atmosferas únicas, misturando mistério, ação e narrativas surpreendentes. Títulos como Control (2019) e Alan Wake II (2023) provaram que a desenvolvedora sabe criar universos bizarros e envolventes. Agora, com Control Resonant, a sequência direta do aclamado jogo de 2019, a Remedy aposta em uma mudança arriscada: levar sua estranheza característica para o formato de mundo aberto.
A história começa sete anos após os eventos do primeiro jogo. Jesse Faden, a Diretora do Departamento Federal de Controle (FBC), toma uma decisão drástica para tentar curar seu irmão, Dylan, que continua sob a influência da entidade conhecida como Ruído (Hiss). Ao invés de uma cura fácil, o resultado é catastrófico: o Ruído escapa da base do FBC e toma conta de toda a ilha de Manhattan, em Nova York. É aqui que os jogadores assumem o controle de Dylan, que, enquanto tenta redimir seus pecados e retomar sua sanidade, recebe a missão de salvar a cidade com a ajuda de uma comandante de campo chamada Zoe.
### Um Mundo Aberto que Divide Opiniões
Enquanto o primeiro jogo brilhava com seus corredores claustrofóbicos e a arquitetura brutalista fascinante da Antiga Casa, a Manhattan de Control Resonant muitas vezes parece mundana demais. Os desenvolvedores optaram por evitar os grandes pontos turísticos turísticos, entregando ruas e áreas residenciais que chegam a ser genéricas, focando mais em becos e lavanderias comuns.
Você pode passar dezenas de horas explorando ruas, subindo em andaimes de construção e enfrentando patrulhas inimigas para concluir tarefas menores. É um tipo de rotina de mundo aberto que pode causar estranheza em fãs que esperam a clássica experiência focada da Remedy. O consenso inicial aponta para um conselho familiar: não perca muito tempo nas atividades iniciais e avance logo na história principal para ver as reais surpresas do jogo.
### Quando o Bizarro Entra em Cena
Apesar do mapa comum no início, Resonant brilha forte quando a Remedy decide flexionar seus músculos criativos. Quando o ambiente da cidade é distorcido pelas anomalias paranormais ou por uma nova força misteriosa chamada Patterning, a geometria do mapa se dobra e se transforma, criando áreas com topografias malucas (lembrando o filme A Origem) que tornam a exploração um deleite visual.
O combate também passou por reformulações. Deixando as armas de fogo de lado, Dylan utiliza um Item Alterado de ataque corpo-a-corpo chamado Aberrant, que muda de forma entre uma foice gigante e adagas velozes. Os combates contra chefes mantêm o design excêntrico da Remedy — como um combate alucinante contra uma cabeça gigante de pedra — mas ainda trazem alguns picos de dificuldade desbalanceados, algo recorrente nos títulos do estúdio.
No final das contas, Control Resonant prova que, embora o mundo aberto não seja perfeito para o estilo da Remedy, a jornada em busca de redenção de Dylan, os poderes de levitação e o enredo maluco garantem uma experiência que só essa equipe poderia entregar.